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VIA CAMPESINA BRASIL: DEFENSA DA VIDA, SOLIDARIEDADE, ORGANIZAÇÃO E LUTA

 

                 

EM TEMPOS DE CRISE:

Defesa da vida, solidariedade, organização e luta

O mundo enfrenta uma combinação de crises jamais vivenciadas na era moderna: uma vasta crise sanitária, de saúde pública, ocasionada pela pandemia do COVID-19; uma crise estrutural nos padrões de acumulação de capital sob predomínio do capital financeiro e fictício, afetando cadeias globais de produção como petróleo e o mercado de capitais; e uma crise geopolítica derivada da emergência da China e outros países da Eurásia como potências econômicas e políticas depois de décadas de supremacia estadunidense.

Estas crises combinadas ao aquecimento global e mudanças climáticas, agora menos evidente, denunciam a grave crise civilizatória que a ordem do capital produziu e os desafios históricos colocados para as sociedades humanas.  É possível estarmos diante de uma crise que vai redefinir o mundo com profundas repercussões na reorganização econômica, política e ideológica impactando Estados, territórios e os povos.

No Brasil se soma uma crise política-institucional marcada pela ascensão neofascista do governo Bolsonaro, que baseia sua política a partir do conflito constante contra as instituições, a ciência, a cultura e promove sistemático desmonte dos direitos das classes populares e da soberania nacional.

Diante da grave crise de saúde pública, a reiterada postura irresponsável do governo Bolsonaro frente as medidas sanitárias, bem como as medidas econômicas com exclusivo conteúdo de proteger bancos e grandes empresas em completo detrimento de políticas de Estado que protejam trabalhadores formais e informais, assim como setores vulneráveis, tende a agravar ainda mais a crise, produzindo quadro simultâneo de pandemia aguda, fome e violência social.

Nós defendemos a vida em primeiro lugar e, vivos, vamos recuperar a economia, pois não queremos o genocídio do povo brasileiro. E nem admitiremos que mais uma vez os mais ricos se apoderem  dos recursos  públicos para não contabilizarem qualquer tipo de prejuízo individual, em especial o capital financeiro. Os recursos do Estado devem ser para salvar o povo da pandemia e da crise econômica.

Uma crise de proporções catastróficas no Brasil deverá ser responsabilizada ao governo Bolsonaro e seus aliados que, ao invés de coordenar com estados e municípios, gerar ambiente de unidade e cooperação nacional, tomar medidas sanitárias e econômicas adequadas com base nas experiências exitosas de combate a pandemia, insiste em realizar ajuste fiscal em meio a crise e se abstém da

condição de presidente concentrando seu esforço em produzir polêmicas para animar sua base eleitoral alimentada pela maquinaria de notícias falsas – Fake News – nas redes sociais.

Defesa da Vida e Solidariedade

Diante do quadro, duas grandes questões se colocam na ordem de prioridade frente às demais: a defesa intransigente da vida e a solidariedade como valores centrais para a superação da crise. Neste contexto, a Via Campesina Brasil conclama movimentos populares do campo e da cidade, igrejas, artistas, intelectuais, estudantes, governos estaduais e municipais a defender a vida e a solidariedade como base para gerar um ambiente sem pânico e exigir medidas sanitárias e econômicas adequadas do governo com objetivo de criar as condições materiais e psicosociais para convocação da sociedade brasileira a responsabilidade e cooperação social para vencer a pandemia.

A Via Campesina, presente em todo o território nacional, se compromete através de suas organizações a impulsionar as seguintes ações:

  1. Reforçarmos as medidas de autocuidado, de não aglomeração social e tomada de medidas sanitárias orientadas pelos profissionais e organismos de saúde com objetivo de evitar a disseminação da doença.
  2. Estimular a produção de alimentos agroecológicos, de modo especial os imunoestimulantes como gengibre, açafrão, própolis, limão e alho -, manter a oferta de alimentos a preços acessíveis e desenvolver ações voltadas ao abastecimento popular de alimentos às populações urbanas.
  3. Estimular a disputa política e ideológica via redes sociais, difundindo informações verídicas e combatendo as notícias falsas. Engajar-se nas campanhas organizadas pela Via Campesina e suas organizações.
  4. Aproveitar o período para estimular a criação artística e cultural, fazer exercícios, avançar nos estudos e fortalecimento ideológico, acumulando energias para a continuidade da luta.
  5. Promover o diálogo e o trabalho com amplitude junto as organizações engajadas no enfrentamento da crise, agindo de maneira coletiva e fortalecendo nossas organizações, preparando-nos para ações de solidariedade, cooperação e acolhimento com agravamento da crise e retomada da luta de massas assim que as condições sanitárias permitirem.
  6. Fazer o enfrentamento a todas as formas de violência sofrida pelas mulheres, que neste período de isolamento social tem aumentado, entendendo que é preciso construir novas relações entre homens e mulheres e destes com a natureza, para constuirmos uma sociedade sem violência, sem discriminação, sem destruição e sem morte.

Contudo, compreendemos que todo o esforço das organizações populares e da sociedade civil não substitui o papel determinante e estrutural do Estado para o enfrentamento da crise, assim exigimos as seguintes medidas do governo federal 

  1. Saúde: estímulo a quarentena; destinação de recursos para a plena operação do Sistema Único de Saúde com foco na prevenção, detecção e ampliação da oferta de leitos de UTI com equipamentos apropriados para o tratamento do Coronavírus; reativação do programa Mais Médicos.
  2. Medidas econômicas de proteção dos/as trabalhadores/as: taxação de grandes fortunas, moratória da dívida pública e imediata suspensão da EC 95. Suspensão das tarifas de energia, água e distribuição gratuita de gás de cozinha em botijão para famílias de baixa renda, isenção do pagamento de aluguel; aprovação no Senado e Presidência da República do programa Renda Básica de um salário mínimo por mês.
  3. Produção e abastecimento popular de alimentos:
  1. Programa específico – plano safra – para produção e abastecimento de alimentos agroecológicos; ampliação do fornecimento de alimentos via PNAE com utilização das escolas para entrega de cestas de alimentos para famílias dos alunos matriculados; manter em funcionamento restaurantes populares, bancos de alimentos e outros equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional adequando rotinas e protocolos para garantir a segurança dos trabalhadores/as e consumidores/as; fornecer cestas básicas à população das periferias atingidas diretamente pelas políticas de contenção, sendo os alimentos adquiridos através do PAA; apoiar e estimular fornecimento de alimentos pela agricultura familiar diretamente aos consumidores/as – delivery; manter feiras livres em funcionamento readequando horários e disposição de bancas com sistemática de orientação da vigilância sanitária.
  2. Manutenção da produção e abastecimento dos alimentos através da garantia de fornecimento de insumos básicos para produção agrícola e pecuária, sobretudo ração animal para as criações sob coordenação da CONAB; disponibilização e desburocratização do crédito agrícola (fomento, custeio e investimento) a juro zero; formação de estoques nas cooperativas e micro e pequenas empresas: capital de giro e estrutura de armazenagem como silos, conteineres e galpões); aquisição dos excedentes não comercializados em função da epidemia: especial atenção aos produtos hortifrútis concentrados nos CEASAS e  à cadeia do leite, ampliando o programa PAA Leite, dando apoio para indústrias processarem e estocarem produtos lácteos como leite em pó. Organização e Luta

A profunda crise de saúde pública que enfrentamos, obriga o conjunto das forças sociais a atuar de maneira coordenada, estimulando valores como a defesa da vida e a solidariedade com o objetivo de produzir unidade e cooperação nacional para sua superação. Sabemos que vencida a crise sanitária

 
 
Recife – PE, E-mail: viacampesinabrasil@gmail.com
ABEEF – ADERE – APIB – CIMI – CONAQ – CPT – ENEBio – FEAB – MAB – MAM — MMC – MPA – MPP – MST – PJR

 

 

Región Caribe Demanda Garantía en los Derechos De La Mujer.

Región Caribe Demanda Garantía en los Derechos De La Mujer.

 

 

En el marco del Dia Internacional de la Mujer Trabajadora, las mujeres de la región caribe se levantaron en una serie de actividades demandando la garantía de los derechos de la mujer.

“Ni la tierra ni las mujeres somos territorio de conquista”

Como un reconocimiento a las luchas que han librado las mujeres en diferentes momentos históricos a favor de la igualdad y el respeto de los derechos sociales, políticos y culturales e identidad  de todas las mujeres en el mundo.

Planteamos este 8 de marzo seguir unificando nuestras agendas como mujeres campesinas, mujeres feministas, mujeres sindicalistas, mujeres jóvenes que han asumido un rol protagónico que han planteado poder ser el relevo de las que históricamente han sido vanguardia de lucha y de acción de este continente latinoamericano. Seguimos planteando que nuestra bandera del reconocimiento de la soberanía alimentaria como una propuesta política que unifique al sector campesino, donde nuestras políticas y nuestras propuestas deben ser bandera a defender no importa el contexto a donde nos corresponda.

Como mujeres hemos entendido que tenemos que defender los derechos campesinos, que fue una gran batalla de este movimiento y que hoy son reconocidos, ¡unamos nuestras agendas, unamos nuestras propuestas, levantemos nuestras banderas y sigamos diciendo que SOMOS MUJERES y EXIGIMOS RESPETO y que si tocan a una respondemos, que las MUJERES UNIDAS JAMAS SEREMOS VENCIDAS! Seguiremos luchando con nuestras campañas  para que se minimice el tema de la violencia en nuestro continente.

República Dominicana demanda una ley integral contra la violencia de género, la despenalización del aborto en las tres causales, el cierre de brechas salariales y desempleo, iguales oportunidades y garantía de la plena igualdad a las mujeres.

Haití hace un llamado de solidaridad para las mujeres haitianas que viven un momento muy difícil contra la violencia política del gobierno del país. Queremos lograr la autonomía de las mujeres del mundo particularmente las mujeres de Haití.

Cuba fue anfitrión en la reunión de la articulación de mujeres CLOC.

Agenda la agenda trabajada estos días fue de cuatro puntos:

1. Escuela de formación

2. Escuela Internacional mujeres LVC.

3. FORO Feministas

4. Entre otros temas.

Las compañeras de la articulación también participaron en el taller -Cuidados y reproducción de la vida: Estrategia desde la Economía Feminista y el Feminismo Campesino y Popular.

Palabras de la mujer:

“Mi nombre es Arianna Garcés Ferrer. Tengo 14 años y soy una militante de la Confederación Nacional de Mujeres del Campo CONAMUCA y participante de la campaña Resetéate.

Vengo como un ejemplo joven para hoy 8 de marzo, retomar voz y seguir luchando por el reconocimiento y el disfrute de los derechos de las mujeres y niñas.

Claramente los derechos de las mujeres y niñas son derechos humanos, es decir, que son inalienables e inviolables.

Abarca todos los aspectos de la vida y fundamentalmente el de no ser objeto de violencia, así como muchos más.

Mujeres y niñas tenemos el derecho del disfrute de los mismos en condiciones de igualdad y a vivir libres de todas formas de discriminación y maltrato, que es algo fundamental para el logro de la paz, la seguridad y el desarrollo sostenible de una nación.

La igualdad de género tiene mucho que ver con los derechos humanos, pero actualmente existe desigualdad hacia los derechos de las mujeres y niñas, no solo en el marco social, sino también en el político. Enfrentan estas situaciones en las áreas de trabajo y en el acceso de bienes y servicios.

También a las niñas se le violenta sus derechos, donde la obligan a contraer un matrimonio a temprana edad y muchas veces forzado que le traerá consecuencias para su futuro, disminuyendo sus oportunidades de estudiar y aumentando los niveles de pobreza cuando eso no es realmente lo que se busca. Es necesario desmontar los estereotipos de género, a través de un cambio de mentalidad.

La protección de los derechos de las mujeres y niñas debe estar considerada en leyes y políticas nacionales en colaboración con las normas internacionales. Las mujeres y niñas debemos de reconocer nuestros derechos para tener la capacidad de reclamarlos en todos los ámbitos y en todas las circunstancias”.

Región Caribe 

Marzo 2020