Delegação Internacional Da CLOC/Via Campesina Visita RS, SC E PR

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Grupo com representantes de 5 países conheceu iniciativas de agroecologia e cooperativismo desenvolvidas pelo MPA e MST.Um grupo de intercambistas reunido pela Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo (CLOC-Vía Campesina), com representantes de organizações camponesas da Venezuela, Chile, Argentina, Guatemala e Nicaragua, esteve em visita a iniciativas de movimentos sociais brasileiros no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná na última semana. A pauta debatida em visitas a cooperativas e pequenos agricultores foi o intercâmbio de experiências em agroecologia e soberania alimentar e a necessária formação de uma rede internacional de compartilhamento de saberes no que diz respeito especialmente à produção de alimento sem a utilização de veneno.

O início da visitação se deu no município gaúcho de Viamão, na grande Porto Alegre, onde assentados do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) produzem arroz orgânico que é beneficiado e comercializado com a marca “Terra Livre”. Hoje a iniciativa dos campesinos do MST com o cereal, levaram o Brasil a se tornar o maior produtor de arroz orgânico na América Latina.

No segundo ponto do Roteiro, a delegação da CLOC-Via Campesina esteve em Seberi e Erval Seco, ainda no RS, onde conheceram experiências em soberania alimentar, agroecologia e preservação do meio ambiente desenvolvidas pela na cooperativa camponesa Cooperbio (Cooperativa Mista De Produção Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis Do Brasil Ltda), formada por famílias que integram a base do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores).  Em destaque no local, esteve a apresentação da infraestrutura do Centro Territorial de Cooperação construído em Seberi, bem como de insumos da linha BioGea, destinados ao fomento da agricultura camponesa.

Delegação fez questão de conhecer lavoura de trigo orgânico em Erval Seco. Foto: Marcos Corbari | Jornalista

No oeste de Santa Catarina, foram realizadas visitas na Cooperativa Oestebio e também em camponeses cooperados nos municípios de Palmitos e São Miguel D’Oeste. Chamou atenção nesta etapa do intercâmbio o projeto de seleção e melhoramento de sementes crioulas trabalhado na região, fortalece a capacidade das famílias camponesas protegerem suas sementes, garantindo produção, qualidade, quantidade e diversidade. Formado por militantes, camponeses e técnicos uma equipe acompanha, visita e atua diretamente com as famílias da base do MPA, construindo de forma dialética novos saberes em torno das sementes crioulas e do campesinato.

Finalizando o roteiro pelo sul do país, o grupo esteve presente na Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA) no município da LAPA, região metropolitana de Curitiba – PR, que é fruto de uma iniciativa da Via Campesina. A ELAA desenvolve o curso de Tecnologia em Agroecologia, em parceria hoje com o Instituto Federal do Paraná. Para tanto, o método pedagógico, seja pela alternância (tempo escola e tempo comunidade), e em seus diversos tempos educativos e processos de auto-gestão busca qualificar os educandos em sua visão crítica da realidade, a formação política e o preparo técnico.

Ao final do roteiro, antes de partirem de volta para seus países de origem, os intercambistas agradeceram a acolhida e a troca de experiências, comprometendo-se a regressar a suas organizações e socializarem o aprendizado com seus pares. “Precisamos nos unir cada vez mais, diminuir as distâncias e nos sensibilizarmos como seres humanos para intercambiar os saberes, compartilhar os caminhos percorridos e apoiar os nossos projetos e sonhos comuns”, afirmou o nicaraguense Rafael Lovo Trantilla.

A dirigente nacional do MPA, Débora Varoli, que acompanhou parte do roteiro, manifestou-se a respeito da visitação e do intercâmbio promovido pela CLOC-Via Campesina: É muito importante que as experiências desenvolvidas a tantas mãos militantes sejam visualizadas, adaptadas a diferentes realidades e sirvam de inspiração para a elaboração das estratégias de soberania alimentar em outros países. Foram dias de muito debate e aprendizado e troca de saberes.

 

Por Comunicação MPA

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