Rumo a VI Conferencia da Vía Campesina

24 de mayo de 2013

Um olhar a partir da América Latina

Tradução: ADITAL

“A Vía Campesina Internacional caminhará para redobrar esforços na articulação e nas alianças com os trabalhadores, os movimentos urbanos, ecologistas e antineoliberais de todo o mundo para conseguir transcender as propostas setoriais e avançar na articulação de lutas comuns, a partir das quais se desenvolvam novos processos organizativos globais, regionais e nacionais que, além de enfrentar o capital, permita construir uma proposta estratégica a partir dos povos”.

Em junho, no marco da VI Conferência Internacional, A Vía Campesina celebrará 20 anos de luta e resistência camponesa global. Nesse contexto de celebração, a Coordenadora Latino-americana de Organizações do Campo (Cloc), movimento continental que representa a Vía Campesina na América Latina e Caribe, reconhece sua contribuição na construção histórica desse grande processo de articulação, ao mesmo tempo em que afirma seu compromisso de fortalecer as lutas do movimento camponês, em seu conjunto, ao redor do mundo.

Alguns antecedentes

Na América, na década dos 90, em pleno desenvolvimento da ofensiva neoliberal, acontece uma restauração colonizadora resultante das ditaduras cívico-militares que o imperialismo norte-americano alentou e coordenou como uma forma de deter e contrapor os processos de libertação que se gestavam a partir dos povos de toda a região.

No continente, comemoravam-se os 500 anos da chegada dos “conquistadores” a América e as direitas pretendiam fazer disso um “festejo”. No entanto, nesse cenário, vão ressurgindo com muita força as lutas camponesas, indígenas, sem terra e afrodescendentes, propondo a luta pela terra, pela cultura, pela defesa da natureza, pelo direito dos povos a escrever a própria história. Essas lutas foram desde o México até a Terra do Fogo e confluíram na “Campanha 500 anos de resistência indígenas, negra e popular”, processo de mobilização e de articulação do qual nasceu a Cloc, em 1992, e que continuará seu caminho junto com diversos processos globais que chegarão à conformação da Vía Campesina Internacional.

Assim, em uma década na qual as lutas operárias decresciam e o capital financeiro impunha suas regras, a Vía Campesina se levantou como uma forte Voz de resistência que cresceu e, com ação e reflexão, denunciou a Organização Mundial do Comércio (OMC) e as estratégias do capital para a agricultura com suas consequências de fome, crise climática, pobreza e perda das soberanias dos povos.

Em meio a uma “crise ideológica das esquerdas”, os camponeses/sãs trouxemos para o cenário lutas e teses políticas agrárias. Globalizar a luta e a esperança significou também que a Cloc-Vía Campesina aplique seus esforços à construção coletiva global.

A partir do aprofundamento da crise do capitalismo, a ofensiva do capital na agricultura e junto aos bens naturais toma características continentais. Após a luta contra a Alca, manifesta-se a necessidade de restabelecer uma dinâmica e uma articulação das lutas em âmbito continental, que acompanhe também o processo de integração que os governos e os povos da região vão desenvolvendo.

No início de 2009, em uma reunião continental realizada em Havana (Cuba), resolve-se conformar uma comissão política continental e se inicia um processo de construção do V Congresso da Cloc-Vía Campesina, que, começando por dinamizar as estruturas regionais e as organizações, concluiria em um ato massivo em Quito (Equador), em outubro de 2010.

Os eixos de discussão política: Reafirmar o caráter anticapitalista da Cloc; porém, gerando condições para debater o socialismo como alternativa para o continente. Ratificar a Cloc como a Vía Campesina na América e trabalhar para simplificar as estruturas regionais e nacionais, sob o princípio da mínima estrutura para máxima ação.

Essa mobilização continental foi muito importante, chegando ao V Congresso da Cloc-Vía Campesina com cerca de 1000 camponeses do continente, com maior participação política de mulheres e jovens e com a ratificação dos acordos propostos em Havana.

Esse processo fortaleceu nossa agenda regional e continental de formação e educação, multiplicando cursos e escolas de Agroecologia, formação política e ideológica, bem como uma comissão de comunicação que se fortalece na multiplicação de meios alternativos e comunitários e na disputa em âmbito de meios de massas.

Além disso, retomou-se as agendas de lutas continentais, fortalecendo a luta permanente contra as transnacionais e seus modelos de agronegócios, megamineração, megarrepresas, combatendo os desalojos e o monopólio de terras, o saqueio de nossos recursos e propondo e impulsionando a Soberania Alimentar, a Agroecologia e a Reforma Agrária. Impulsionamos a construção da Campanha Continental contra os Agrotóxicos, que vai se fortalecendo no continente.

Nossos Desafios

Em outubro de 2012, na Nicarágua, celebramos a I Assembleia Continental da Cloc-Vía Campesina. Entre seus principais objetivos estava impulsionar os processos de discussão e construção política rumo a VI Conferência Internacional, aprofundando debates, contribuindo para a agenda coletiva no plano de estratégias e ações, tomando como referência nossas lutas e boas experiências como continente.

Nesse sentido, acreditamos que A Vía Campesina Internacional caminhará para redobrar os esforços na articulação e nas alianças com os trabalhadores, os movimentos urbanos, ecologistas e antineoliberais de todo o mundo para tentar transcender as propostas setoriais e avançar na articulação de lutas comuns, a partir das quais se desenvolvam novos processos organizativos globais, regionais e nacionais que, além de enfrentar ao capital, permita construir uma proposta estratégica a partir dos povos, da justiça social, da igualdade e do respeito à natureza e à diversidade cultural.

Desde a Cloc-Vía Campesina, vemos que é fundamental propor o diálogo com as massas das cidades e a necessária “volta ao campo” da humanidade com uma perspectiva popular. É dessa forma que nossa Vía Campesina quer maximizar sua capacidade de mobilização e ação de massas, com a mínima estrutura possível, promovendo princípios de respeito, amor e solidariedade de classe permanente com os povos do mundo.

Hoje, mais do que nunca, as consequências das crises climática, alimentar, energética e econômica ressaltam a importância da Reforma Agrária Integral e da Soberania Alimentar, como eixos estratégicos da alternativa popular e pela vida; porém, isso somente será possível se esses princípios são assumidos pelos povos em seu conjunto. Também é fundamental fortalecer os processos de formação e educação bem como as estratégias de comunicação popular em todas as regiões da Vía Campesina.

Secretaria Operativa da Cloc-Vía Campesina

Rumo à VI Conferência da Vía Campesina, Indonésia, Junho 2013!

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