Argentina: Mais de mil delegados se preparam para iniciar o 6° Congresso Continental da Cloc

9 de abril de 2015

ruedaprensa.jpgA atividade acontece entre os dias 14 a 17/04, em Buenos Aires, na Argentina. A partir desta quinta, juventude e mulheres camponesas já iniciam as atividades.

A América Latina passa por um momento complexo. Se por um lado houve avanços na integração continental com a volta de um projeto latinoamericano de unidade, por outro se observa o aprofundamento da ofensiva de grandes corporações transnacionais no continente.

É sob este paradoxo que mais de 1000 delegados de toda a América Latina e Caribe se reúnem na cidade de Buenos Aires, na Argentina, durante o VI Congresso Continental da Coordenação Latinoamerica das Organizações do Campo (Cloc), entre os dias 14 a 17 de abril.

O objetivo é debater a conjuntura agrária e política do continente, e buscar construir uma perspectiva comum que delineie as ações das organizações populares para o próximo período.

Nos dias que antecedem o Congresso, cerca de 400 jovens realizam a 4° Assembleia da Juventude, entre os dias 10 e 11 de abril, ao debaterem a conjuntura latinoamericano e sua inserção neste processo. E entre os dias 12 e 13, será a vez das camponesas realizarem a 5° Assembleia das Mulheres.

Para o argentino Diego Mortón, da Secretaria Operativa da Cloc, é preciso “atualizarmos nosso olhar, nossos planos de ação e aprofundar o diálogo com outros setores da sociedade para fazermos um diagnóstico da realidade e definirmos quais caminhos seguir”.

Para ele, este novo momento exige uma forte articulação entre campo e cidade para enfrentar uma crise que não é somente política e econômica, mas também climática, ambiental e alimentar.

“Mais de 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo. Sob este contexto precisamos trabalhar a saída desta crise”, apontou Mortón.

Para ele, uma das principais causas desta problemática estaria no avanço do agronegócio sobre o campo, que se desenvolveu “com base no monocultivo, no uso intensivo de agrotóxicos e com as sementes transgênicas, transformando o alimento numa mercadoria sujeita a especulação financeira”, acredita.

“Um modelo em que 60% a 70% da renda fica com as empresas transnacionais, evidentemente não é um modelo tão eficiente como se apresenta, nem um projeto de nação que pense primeiro em seu povo”.

A chilena Soldad Alvear,da Conaproch, atenta para a ferocidade do extrativismo dos recursos naturais realizado pelas grandes corporações no continente, e destaca o caso das sementes transgênicas.

Passamos por um momento complexo, em que organismos internacionais como o Banco Mundial, junto às multinacionais do agronegócio, colocam cada vez mais condições para o uso das sementes”, disse.

“As sementes são parte do que somos, do que fazemos. É um elemento que sempre esteve presente ente nós, mas agora querem ser donos delas”, destaca Alvear.

Um relatório divulgado no ano passado pelo Grupo ETC – organização socioambientalista internacional que atua no setor de biotecnologia e monitora o mercado de transgênicos – revelou que as seis maiores empresas, apelidadas de “Gene Giants” (Gigantes da Genética), controlam atualmente 59,8% do mercado mundial de sementes comerciais e 76,1% do mercado de agroquímicos, além de serem responsáveis por 76% de todo o investimento privado no setor.

Saída da crise

Há pouco mais de 20 anos surgia a Cloc, enquanto um instrumento de articulação entre as organizações populares do campo da América Latina para fazer frente ao avanço das políticas neoliberais nos anos de 1990.

Com o passar do tempo, junto a resistência camponesa frente a ofensiva do agronegócio, também foi se forjando propostas e alternativas para se contornar a crise mundial.

“Originalmente a luta pela terra tem sido um elemento concreto. Depois fomos construindo uma proposta de soberania alimentar, que tem a ver com o direito dos povos de decidir o que produzir, como produzir e como distribuir os alimentos”, apontou Mortón.

Segundo o argentino, “seguimos insistindo que nosso projeto é a soberania alimentar, a agroecologia, com a produção e com a vida campesina. E isso não é possível sem uma Reforma Agrária integral, que não se resume mais em apenas distribuir terra para quem nela trabalha, mas em se pensar uma outra maneira de se produzir no campo”.

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