Brasil: Movimentos Sociais da cidade prestam solidariedade à reocupação em Alagoas

Martes 12 de Marzo de 2013

 

Por Gustavo Marinho

soli alagoas 0Organizações sindicais prestam solidariedade às famílias camponesas que reocuparam na manhã de sexta-feira (08) a antiga fazenda São Sebastião, no município de Atalaia. A caravana com sindicalistas de Maceió vai ao acampamento São José nesta tarde, acompanhada pelo representante da Secretaria Geral da Presidência da República,Cândido Hilário, conhecido como Bigode.

“Entendemos que em um estado onde a monocultura e a concentração de terras é decisiva na perpetuação da brutal desigualdade social, como é o caso de Alagoas, lutar por reforma agrária é uma obrigação política”, afirma Elida Miranda, da Central Única dos Trabalhadores.

No município marcado pela concentração de terra nas mãos de poucos, trabalhadores e trabalhadoras rurais vão na contramão na luta por vida digna no campo. Um exemplo foi o Acampamento São José, área da fazenda São Sebastião (parte da região da antiga Usina Ouricuri), que ocupado desde 2004 aproximadamente 50 famílias faziam enfrentamento à elite do município.

Despejados em dezembro de 2012, pela ação da força armada do Estado, o acampamento que já contava com parque infantil, vasta produção e com a Escola Itinerante Rosa Luxemburgo, foi cercado e substituído pela criação de gado.

Somente em Alagoas, cerca de 10 mil famílias vivem em acampamentos em todo o estado aguardando que o governo desaproprie terras e destine-as para a Reforma Agrária. O Estado que vira as costas às famílias Sem Terra acampadas, é o mesmo Estado que rapidamente retira os trabalhadores e trabalhadoras de forma brutal de suas áreas para entregar aos grileiros.

Desde a manhã de sexta-feira, o MST contou com o apoio de diversos movimentos sociais do campo e da cidade na reocupação da fazenda São Sebastião, local marcado pelo assassinato do líder Sem Terra, Jaelson Melquíades, em 2005, tombado pelas mãos dos latifundiários da região.

“Em áreas de grandes disputas, como ocorre em Atalaia, temos que nos manter firmes pois o sangue de trabalhadores já foi derramado em nome da manutenção de latifúndios. Não podemos calar nem cruzar os braços”, finaliza Elida.

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