14 de abril de 2015
Coletivo de Comunicação da CLOC-Via Campesina
Após dois anos de preparação e centenas de quilômetros percorridos, mais de 1200 delegados de 21 países da América Latina e Caribe se reuniram, nesta terça-feira (14), na abertura do 6º Congresso Continental da CLOC – Via Campesina, em Buenos Aireis, na Argentina.
Com o lema «Contra o capitalismo, por soberania dos nossos povos, América unida segue em luta», o congresso pretende discutir os principais desafios dos camponeses e traçar uma agenda conjunta de mobilização para os próximos anos.
Responsável pela Secretaria Operativa da CLOC, a argentina Deolinda Carrizo, do povoado tradicional indígena LuleVilela e dirigente do Movimento Nacional Campesino Indígena (MNCI), iniciou o congresso relembrando o processo de criação da Coordenação Latinoamericana e Caribenha das Organizações do Campo (CLOC).
«Iniciamos esse processo continental, no final dos anos 80, porque não íamos celebrar o descobrimento da América. Nos juntamos para dizer que havia resistência camponesa, indígena e popular», recordou Deolinda.
O surgimento de uma organização camponesa na América Latina foi impulsionada, em grande medida, pelas articulações em torno da «Campanha 500 anos de resistência indígena, negra e popular», que agrupou forças contrárias às comemorações do descobrimento da América pelos colonizadores europeus.
Com a criação da CLOC, em 1994, como resultado dessas mobilizações continentais, foram erguidas diversas bandeiras de luta relacionadas com a pauta do campo e da libertação dos povos latinos diante da ofensiva neoliberal.
«Nos unimos, caminhamos e hoje podemos dizer juntos que derrotamos a ALCA, o Tratado de Livre Comércio das Américas. Tratados que ainda tentam sepultar este fogo que segue andando», rememorou Deolinda.
Já a integrante histórica da CLOC, atualmente ministra boliviana de Desenvolvimento Rural e Terra, Nemesia Achacollo, refletiu sobre o atual processo de transformação social ocorrido depois da ascensão de governos progressistas na região.
«Nós estamos vivendo um processo de mudança. Um irmão que foi membro desde a construção da CLOC se tornou o presidente Evo Morales. Um companheiro camponês, indígena, em busca dos direitos humanos e com respeito à mãe terra. Hoje vivemos os frutos da revolução bolivariana. Apesar de não estar presente fisicamente, o presidente Chávez e a revolução bolivariana vive entre todos», afirmou Nemesia.
O inimigo
Apesar das memórias positivas da resistência camponesa, os povos estão cada dia mais expostos ao modelo de sociedade vigente no mundo. Para o integrante da MNCI e integrante da Secretaria Operativa da CLOC, Diego Montón, o capital financeiro é a principal ameaça à soberania dos povos.
«Apesar dos avanços, o capital financeiro e as corporações têm conseguido que nossas economias se concentrem e se centralizem. Atualmente, está ocorrendo uma enorme ofensiva das corporações transnacionais sobre nosso continente e em todo o mundo», assegurou Diego.
Segundo o dirigente, o principal objetivo do congresso é reiterar o combate ao modelo capitalista, romper com o sectarismo e construir unidade entre as forças progressistas.
«Viemos a esse congresso para fortalecer a articulação continental, superar as falhas para além de todas as conquistas, romper divergências, fortalecer nossos mecanismos de poder e estabelecer uma verdadeira agenda de luta continental contra esse projeto do capital financeiro», afirmou.
E esse processo não pode estar alijado da defesa da soberania alimentar, também ponderou Diego. «Se não recuperarmos a soberania alimentar não sustentaremos esse processo ascendente de lutas na América Latina. E não pode haver soberania alimentar sem agricultura camponesa, que por sinal só se concretizará com uma reforma agrária popular e integral que aconteça do Caribe até a Terra do Fogo».
O evento, que congrega as 88 organizações camponesas que compõe a Via Campesina no continente, continua até sexta-feira (17), quando se pretende elaborar apontamentos conjuntos dos camponeses para os próximos anos.
De no haberse abortado el proyecto de «subordinación de América Latina a estados Unidos» conocido como Área de Libre Comercio para las Américas (ALCA), varios de los procesos de transformación e integración sur-sur que se han experimentado en la región en la última década no hanrían sido posibles.
Hoje, certamente é um marco histórico na luta das mulheres de toda América Latina, ao ritmo da canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, composta ainda em 1978, Maria Maria, está sendo realizada a V Assembleia de Mulheres da CLOC – Via Campesina, são mais de 300 mulheres das mais diversas organizações camponesas e indígenas de 23 países. O evento faz parte da VI Congresso da CLOC – Via Campesina que está acontecendo em Buenos Aires (Argentina), depois de ter sido realizado em anos anteriores no Equador, na Guatemala, no México, no Brasil e no Peru.
Durante la V Asamblea de Mujeres de la CLOC-Vía Campesina se está abordando la cuestión del feminismo campesino popular como alternativa al modelo patriarcal del capitalismo. ItelvinaMassioli, dirigenta nacional del Movimiento de los Sin Tierra de Brasil (MST), habló sobre la necesidad de ver la lucha de clases desde una perspectiva feminista, y así dar a entender que la construcción del socialismo no es posible sin antes acabar con la violencia de género y todas las demás formas de discriminación.
La V asamblea de mujeres del campo de Latinoamérica y el Caribe culminó hoy su segundo día de sesiones con un homenaje a Eduardo Galeano, «poeta y