Hidrelétrica de Estreito deixa famílias assentadas sem água

7 de junho de 2011

Por Marcio Zonta

Especial para a Página do MST

As 104 famílias do assentamento Brejo da Ilha do MST, no Maranhão, vem sofrendo com os efeitos nefastos da implantação e funcionamento da Usina Hidrelétrica de Estreito.

“Desde que foi construída a barragem perdemos acesso ao rio, não podemos mais pescar, banhar, pegar água”, afirma o assentado Alberto dos Reis.

Além de perderem o acesso ao rio, os assentados viram 50% da Reserva Legal do assentamento ser submergido pela água. “Parece brincadeira. Se fosse nós que tivéssemos devastado, o Ibama nos puniria, mas como foi a hidrelétrica nada acontece”, reclama o engenheiro agrônomo Manoel Antonio, morador do Brejo da Ilha.

 

Sem serem contatados pelo Consórcio Estreito de Energia (Ceste) formado pelas empresas Suez Energy, Vale, Alcoa e Camargo Corrêa, as famílias só tinham acesso as informações sobre a hidrelétrica pelo Incra. “O Incra foi escolhido pela Ceste para intermediar as negociações, tanto é que nunca fizeram uma reunião aqui no assentamento. Tudo era decidido em Tocantins”, revela Manoel.

Beneficiados

Para a professora de Ciências Sociais da Universidade Federal de Tocantins (UFT), Rejane Medeiros, trata-se “de um caso de privatização da água, um bem natural sendo utilizado a favor da minoria que controla a água na região para gerar energia para seu próprio beneficio”.

Na época da construção da hidrelétrica de Estreito, ficou acordado entre as famílias, o Incra e a Ceste um projeto de irrigação para que chegasse água às lavouras e nos lotes. «Mas isso não foi atendido e, cercado por tanta água vivemos na seca, pois os poços que temos não dão conta de nossa demanda para plantio e moradia”, lamenta Manoel.

Indenização

Outro ponto observado pela professora é que as famílias teriam que ser indenizadas, “antes de qualquer coisa, pelo fato de terem perdido o acesso ao rio”.

O consórcio indenizou apenas cinco famílias que tiveram seus lotes inundados pela água. “Essas foram para a cidade contrariadas, perderam suas benfeitorias na roça e vivem com dificuldades fora do campo”, diz Manoel.

Alberto Reis, morador do assentamento desde o principio há 14 anos indigna-se: “água é saúde é vida e nós ficamos sem direito a isso”.

 

 

 

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O retorno de Manuel Zelaya: nova etapa de resistência

* Matéria publicada no Jornal Brasil de Fato, edição 431, de 2 a 8 de junho de 2011

De volta a seu país, ex-presidente quer criar bloco político amplo e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte

Sílvia Alvarez

de Tegucigalpa (Honduras)

Caiu uma chuva torrencial, depois abriu um tremendo sol. Começou a chover de novo, mas o avião venezuelano que trazia o ex-presidente Manuel Zelaya de volta a Honduras não chegava. No sábado, 28 de maio, milhares de pessoas se aglutinavam na pequena praça Isis Obed, no aeroporto da capital Tegucigalpa, ansiosas, impacientes e sedentas. Muitas delas chegaram ali no dia anterior para conseguir um lugar privilegiado, em frente ao palco montado para a festa de “boas-vindas” ao ex mandatário – a quem chamam carinhosamente de Mel.

Um membro da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) pega o microfone e lembra que, na verdade, eles estão esperando pelo presidente não somente há algumas horas, mas sim há quase dois anos. “Paciência, companheiros, paciência”, diz ele à multidão. Uma mulher grudada na grade em frente ao palco diz que não havia dormido durante a noite, mas “com satisfação, com muita satisfação”. Aterriza um avião na pista do aeroporto. Começa a tocar, pela centésima vez, a música da campanha eleitoral de Zelaya, que virou uma espécie de hino da resistência, cujo refrão anuncia “Viene Mel! Urge Mel!” (Lá vem o Mel! Precisamos do Mel!). Alarme falso: era um avião comercial.

Na última vez que haviam visto Zelaya ele estava na embaixada do Brasil, onde permaneceu por 120 dias. Dali, partiu para o exílio na República Dominicana, mas seguiu, mesmo a distância, sendo o coordenador-geral da Frente Nacional de Resistência Popular, organização que se formou em oposição ao golpe de Estado de 28 de junho de 2009 que o depôs. Após constante pressão popular, e diante da crise econômica que assola o país, o atual presidente Porfírio Lobo Sosa propôs um acordo de “reconciliação”, assinado por ele e por Zelaya no início do mês, em Cartagena das Índias, Colômbia, e mediado pelos presidentes venezuelano, Hugo Chávez e colombiano, Juan Manuel Santos. Entre os termos do acordo está a volta de Zelaya e de todos os exilados, com garantia de terem seus direitos assegurados.

Participação eleitoral

Para Juan Barahona, sub-coordenador da FNRP, inicia-se uma nova etapa a partir do regresso do presidente deposto. “Com a volta de Zelaya vamos fortalecer ainda mais a FNRP. Vamos continuar lutando para que se cumpram os outros acordos da mediação e que se convoque a Assembleia Nacional Constituinte. Mas também começamos uma nova etapa: vamos levantar assinaturas para buscar a legalização da FNRP como instrumento politico, que nos permita participar no próximo processo eleitoral, em 2013”, afirmou o dirigente.

Em fevereiro deste ano, a FNRP realizou sua assembleia nacional com mais de mil delegados. Ali, ficou acordado que a organização não participaria de processos eleitorais até que tivessem condições adequadas. Porém, a direção avalia que as condições estão contempladas no acordo de Cartagena que garante que a FNRP solicite sua inscrição frente ao Tribunal Superior Eleitoral e participe dos próximos pleitos; permite a convocação de uma consulta sobre uma nova Assembleia Nacional Constituinte; e reconhece a criação da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos como entidade que permita fortalecer a promoção e proteção dos direitos humanos em Honduras.

No entanto, o acordo de reconciliação também pressupõe o reconhecimento do governo de Honduras pela Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual foi suspenso, por unanimidade, após o golpe de Estado. “Pensamos que Honduras não deve ter o apoio para regressar à OEA enquanto não sejam cumpridos os outros pontos do acordo, produto da mediação. Esse regime é mentiroso, pode ser que agora que o presidente Zelaya voltou, os outros pontos não se cumpram”, advertiu Juan Barahona. A OEA realizará uma reunião extraordinária, em 1 de junho, para tratar deste tema.

O primeiro discurso

Por volta das 14h30, com quase quatro horas de atraso, pousou em território hondurenho o avião vindo da Nicarágua que trazia Zelaya, vários exilados e uma comitiva composta por autoridades, dentre elas, o chanceler venezuelano Nicolás Maduro, a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba. Finalmente havia se concretizado a principal demanda da resistência.

A população cansada, mas eufórica, recebeu do homem alto, com seu chapéu de vaqueiro característico, um agradecimento: “graças ao seu esforço, companheira e ao seu esforço, companheiro, eu pude regressar à terra que me viu nascer”, disse apontando para multidão. Zelaya também agradeceu à comunidade internacional, principalmente aos governos da Venezuela, República Dominicana e Brasil, pelo apoio desde o golpe.

Mais um agradecimento foi feito, dessa vez não tão esperado: à Porfírio Lobo Sosa, atual mandatário, que chegou ao poder através de eleições consideradas fraudulentas, em outubro de 2009. Em tom reconciliatório, pediu o reconhecimento do governo de Honduras à comunidade internacional «É recíproco: se o governo e o presidente Lobo reconhecem os direitos democráticos que foram violados, a comunidade internacional tem obrigação de reconhecer o governo do presidente».

Além disso, lembrou que além da OEA também é importante que o país regresse à Alba. “Só se fala da reintegração de Honduras à OEA mas as portas estão abertas para que Honduras regresse à Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), à terra de Marti, em Cuba; à terra de Sandino, na Nicarágua; à terra de Bolivar, na Venezuela e à terra de Morazan, em Honduras”.

O clima de reconciliação não agradou parte da resistência. Para Berta Cáceres, do Conselho Cívico de Organizações Indígenas de Honduras (Copinh) “esse governo é continuador do golpe de Estado. Tivemos muitos mártires e a população segue sofrendo violações de direitos humanos. Além disso, é um governo saqueador de bens naturais, privatizador do nosso patrimônio. O reconhecimento dele e a reincorporação à OEA seria uma vitória do golpe”, afirmou

Partido Liberal ou resistência?

Na festa de boas-vindas dois tipos de bandeira disputavam a atenção de Zelaya e dos meios de comunicação: as que tinham as cores vermelha e preta – da FNRP – e as vermelha e branca – do Partido Liberal Hondurenho, pelo qual Zelaya foi eleito presidente em 2005. Diplomático, Zelaya agitou as duas bandeiras quando chegou, assim como agradeceu ambas as organizações, deixando a dúvida de onde se dará sua luta política.

No dia seguinte, em coletiva de imprensa, ponderou sobre o tema: “formo parte do Partido Liberal, mas estou dirigindo a organização mais importante desde a independência que é a Frente Nacional de Resistência. Venho a somar-me à Frente, sem perder minha identidade como liberal”. A FNRP, continuou, “são docentes, operários, camponeses, organizações sociais, indígenas e partidos políticos. Se dividimos a esquerda, seguem ganhando as direitas”, concluiu.

De acordo com Zelaya, a Frente deve se transformar em um bloco político similar ao que governa o Uruguai e sua primeira demanda será o plebiscito para a convocatória de uma constituinte.

Quem é Manuel Zelaya?

Na madrugada de 28 de junho de 2009 Zelaya acordou com barulho de tiros. Foi até a sacada do quarto e viu seu segurança pessoal rendido por policiais militares na frente do portão. Teve sua casa invadida e foi levado, de pijamas, à base militar de Palmerola de onde partiu pra a Costa Rica. Acabara de levar um golpe civil-militar, em pleno século 21.

Nesse mesmo dia, Zelaya ia consultar à população sobre a inclusão de um quarta urna, nas eleições de outubro, que perguntaria sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte que aprovaria uma nova Constituição. O Congresso Nacional, liderado por Roberto Micheletti – do mesmo partido que Zelaya, o Liberal – desautorizou a consulta e, numa aliança com a oligarquia e com o exército, executou o golpe.

Origem empresarial

Filho de uma poderosa família de fazendeiros da região de Olancho, fez fortuna com gado e extração de madeira antes de ser eleito para o Congresso em 1985. Destacou-se como funcionário público, ao administrar o Fundo de Investimentos de Honduras (FIHS) durante o governo do ex-presidente Carlos Flores (1998-2002), na época em que o país foi devastado pelo furacão Mitch. Nesse período, o FIHS iniciou uma importante obra social, reconstruindo estradas, prédios, aquedutos e outras obras públicas.

Foi eleito presidente de Honduras em 2005 pelo Partido Liberal de Honduras, considerado de centro-direita. Porém, durante seu governo, adotou medidas consideradas progressistas, principalmente ao aliar-se ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e aderir à Alba, em 2008. Além disso, aumentou em 65% o salário mínimo hondurenho, que passou de U$189 para U$ 289. Zelaya foi o primeiro chefe de Estado hondurenho a visitar Cuba desde 1959

No dia seguinte do seu regresso à Honduras, o ex-presidente deu uma entrevista à Globo TV, uma das poucas emissoras que o apoiaram durante o golpe. Ali, definiu-se como empresário, liberal e pró-socialista.

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Pronunciamiento de las Organizaciones de CLOC- VIA CAMPESINA CHILE

ANAMURI – RANQUIL – ASAMBLEA MAPUCHE DE IZQUIERDA

3 de Junio de 2011

 

afiche_semillasHa sido una grata sorpresa la reacción y el apoyo expresado a nuestras organizaciones de muchas y muchos compatriotas frente a la amenaza para la agricultura campesina y nuestras semillas criollas y nativas ante la aprobación en el Senado para la adhesión de Chile a UPOV 91, referida a la última Acta Modificatoria de la Unión Internacional de Protección para las Obtenciones Vegetales (UPOV), la que data del 19 de Marzo de 1991 y que responde a lo delineado por la OMC para otorgar mayores garantías y ganancias a las empresas multinacionales de las semillas.

Al otro lado se ubica la contradictoria posición de organizaciones que en representación de los campesinos han apoyado y solicitado ante la comisión del Senado dar paso a la aprobación a UPOV 91 sin tener, a nuestro juicio, los conocimientos plenos del sentido de esta ley que atenta gravemente contra los derechos de quienes nos han confiado su representación, dando lugar así, a la justificación de su voto de aprobación, del Senador Eugenio Tuma de la IX región.

En relación a esto, distorsionando el debate, nos sorprendió leer en “El Mostrador” y “EL quinto poder” las opiniones de Julio Berdeguer en relación a la importante discusión que actualmente se lleva en diferentes ámbitos a nivel nacional en torno a la adhesión de Chile al Convenio UPOV 91.

Consideramos que es arrogante, el Sr. Berdeguer al calificar el debate de primario y se apresura a entregarnos elementos para “avanzar y evitar que se construyan mitos”. Lamentablemente, muchas de sus aseveraciones contradicen hechos conocidos o descontextualizan el debate, oscureciéndolo más que ayudando a mejorarlo. Con el fin justamente de fomentar un debate amplio y fundamentado, las organizaciones que integramos la CLOC Vía Campesina Chile, ANAMURI, Confederación Ranquil, Asamblea Mapuche de Izquierda, junto a la Coordinadora de Estudiante por la Agroecología, CEPA, Marcha Mundial de Mujeres, M.M.M-Chile, TERRAM – GRAIN – CENDA- CEDEM –RAPAL-OLCA, de ahí que nos parece importante aclarar lo siguiente:

1. Chile adhirió al Convenio UPOV 78 en el año 1996. Con ello, entregó a las empresas semilleras un conjunto de privilegios y limitó severamente el derecho de las y los agricultores a reproducir las semillas. En los quince años desde entonces, la disponibilidad de variedades vegetales chilenas ha disminuido y hemos pasado a ser un país más y más dependiente de variedades y empresas extranjeras. De este modo al aprobar el Senado la adhesión de Chile al Convenio UPOV 91, se abren así las puertas a que Chile entregue aún más privilegios a las grandes empresas semilleras y deje fuera de la ley a los sistemas campesinos y de los pueblos originarios para guardar, reproducir, compartir y mejorar sus semillas. Lo que veremos en los próximos meses es una serie de iniciativas legales para permitir la privatización de todo tipo de semillas, incluidas las semillas campesinas y de plantas silvestres. Por el futuro de la agricultura y la alimentación en Chile y por el bienestar de las comunidades indígenas y campesinas en el país, las organizaciones firmantes llamamos a impulsar un proceso de oposición social amplio que impida que tales leyes se hagan realidad.

2. La adhesión a UPOV 91 está directamente relacionada con los tratados de libre comercio y es sólo un ejemplo de cómo la firma de los tratados comerciales busca imponer determinadas agendas legislativas en contra de principios básicos de funcionamiento democrático y ejercicio de la soberanía nacional. En el capítulo 17 del Tratado de Libre Comercio entre Chile y Estados Unidos, puede leerse:

3. Antes del 1º de enero del 2009, las Partes deberán ratificar o adherir a:

(a) la Convención Internacional sobre la Protección de Nuevas Variedades de Plantas (1991);

Más aún, la justificación del proyecto de ley de adhesión que acaba de aprobarse dice:

Por otra parte, la adhesión al Acta 1991 del Convenio UPOV, al igual que otros tratados internacionales que forman parte del sistema multilateral de propiedad industrial, fue comprometida internacionalmente por Chile en diversos acuerdos bilaterales de libre comercio (TLC).

3. La privatización de las semillas y de la capacidad reproductiva de las plantas es uno de los pilares del neoliberalismo en la agricultura. No por casualidad UPOV es un tipo de legislación que se impulsa desde la Organización del Comercio y que la International Seed Federation – la mayor organización de las empresas semilleras a nivel global- define como la “legislación base”. Decir que UPOV no tiene que ver con el neoliberalismo, porque UPOV fue fundado en 1961 “cuando no había nada de eso” es equivalente a decir que el Banco Mundial tampoco tiene que ver con el neoliberalismo porque fue fundado en 1945.

4. La adhesión a UPOV 91 y el proyecto de ley de obtenciones vegetales están íntimamente relacionados con la introducción de cultivos transgénicos al país. UPOV 91 y el proyecto de ley de obtenciones vegetales (semillas) que hoy se encuentra en el parlamento son parte de las medidas que las empresas semilleras necesitan para asegurar sus ganancias y que el país sea abierto a los cultivos transgénicos. Las transnacionales de las semillas transgénicas no quieren que pase en Chile lo que ha pasado en Argentina, donde a pesar de cultivarse millones de hectáreas de soya y maíz transgénico, las ganancias de las transnacionales no han sido las que ellas quisieran justamente porque Argentina no se ha adherido a UPOV 91 y por lo tanto, no pueden obligar a los agricultores a pagar un royalty por la reproducción de las semillas transgénicas. Con UPOV91, las empresas semilleras pueden prohibir la reproducción de variedades que ellos reclaman como propias y confiscar la producción e incluso las exportaciones de quienes no paguen los royalties que ellos exigen.

5. Las y los campesinos no deseamos privatizar nuestras semillas y no aceptamos que se privatice semilla alguna. Las semillas son un producto colectivo, social, cultural, histórico y en permanente evolución. El trabajo de mejoramiento que han hecho las empresas semilleras es insignificante en comparación al que hemos hecho los pueblos originarios y campesinos del mundo entero desde hace más de diez mil años. Ha sido nuestro trabajo de mejoramiento el que hizo posible la agricultura y el que ha producido la inmensa diversidad que hoy sustenta nuestra alimentación. Sin nuestras semillas, ni Monsanto ni Von Baer, ni el INIA, ni ninguna otra empresa hubiesen podido producir semilla alguna así como tampoco podrían producir en el futuro. Las empresas y los centros de investigación tuvieron libre acceso e hicieron libre uso de nuestras semillas, aprovechando nuestra buena fe para tomar las semillas de nuestros campos y encerrarlas en los bancos y laboratorios; no entendemos qué tipo de excusa puede llevar a pensar que ahora debemos pagarles por algo que hacen en base a nuestro trabajo de siglos. Hoy nosotros exigimos mantener un derecho histórico y presente en todas las culturas del mundo a seguir reproduciendo y cuidando las semillas sin condicionamiento alguno. Y nuestra posición no depende de si quien pretende privatizar es una empresa nacional o transnacional, un instituto de investigación o alguien de origen campesino.

6. La descripción que el Sr. Berdeguer hace de los sistemas de bancos de germoplasma no corresponde a la realidad legal ni a la práctica. Los bancos de germoplasma no permiten que comunidades campesinas o indígenas tengan acceso a las semillas que encierran y muchos de ellos han entregado parte de sus colecciones a empresas transnacionales, las que luego las han privatizado. La Vía Campesina y sus organizaciones hemos pedido una y otra vez que los bancos de germoplasma se abran para permitir la vuelta de las semillas a nuestros campos y nuestras manos, pero tal acceso se nos ha negado una y otra vez. La aprobación del Convenio UPOV 91 da bases para que las colecciones de semillas en manos de los bancos se conviertan en un buen negocio originando incentivos perversos para que las colecciones sean entregadas al sector privado, como al parecer está haciendo el actual director nacional del INIA

En relación al Tratado Internacional sobre Recursos Genéticos, es un sistema limitado que no nos garantiza el acceso a las semillas, que no nos protege plenamente de la privatización de las semillas y que se hará aún más limitado si Chile aprueba una ley de variedades vegetales de acuerdo a UPOV 91

7. Es absurdo decir que “cualquier persona” puede registrar una variedad como propia. El proceso de registro y de fiscalización posterior es caro y complejo. El sistema UPOV está hecho de acuerdo a las necesidades y posibilidades de las grandes empresas. No por casualidad, desde el ingreso de Chile a UPOV 78, el mejoramiento vegetal en manos de instituciones chilenas ha decaído de manera alarmante. INIA y ANASAC pasaron de ser fundamento del mejoramiento genético en el país a ser meros observadores marginales, con sólo alrededor del 10% de las variedades registradas. Más aún, ANASAC está desapareciendo como empresa nacional y está siendo comprada por Monsanto.

8. Consideramos de importancia nacional que en Chile haya mejoramiento genético para garantizar el éxito de nuestra agricultura y nuestra soberanía alimentaria en el corto, mediano y largo plazo. Ello requiere apoyar sistemas de mejoramiento descentralizado que no fomenten la privatización y monopolización de las semillas, que se basen en la diversidad y se adapten a formas sustentables de agricultura. Por sobre todo, si Chile quiere proteger y potenciar su riqueza genética, debe proteger sus fundamentos: la agricultura llevada a cabo por pueblos campesinos y originarios.

9. Por eso reiteramos que Las Semillas Campesinas son un Patrimonio de nuestros Pueblos Indígenas y Campesinos quienes históricamente las han puesto al servicio de la Humanidad para alimentar los pueblos y no para lucrar a los grandes monopolios Nacionales o Transnacionales de las Semillas.

Semillas Campesinas en Resistencia

CLOC-Vía Campesina CHILE

 

 

 

 

 

 

 

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Declaración de las Organizaciones Campesinas e Indígenas y Populares de Paraguay

Celebran la Semana de la Semilla Paraguaya “Heñói jey Paraguay – Nuestra Semilla, Nuestra Soberanía”

SEMILLASPor primera vez se reunieron organizaciones campesinas e indígenas de Paraguay, con el apoyo de una entidad pública, para discutir sobre las semillas criollas y nativas, seriamente amenazadas por el agronegocio, especialmente por los cultivos transgénicos de la soja y ahora el maiz. Los pueblos indígenas mostraron que hace miles de años vienen cultivando determinadas especies, que ahora las multinacionales pretenden apropiarse y desechar aquellos que consideran no son rentables. Fueron tres días de jornadas memorables.

Las organizaciones campesinas y pueblos indígenas durante el encuentro en la Semana de la Semilla Paraguaya denominada “Heñói jey Paraguay, Nuestra Semilla, Nuestra Soberanía” y, tras el profundo análisis y debate sobre la realidad nacional de las semillas nativas y criollas que se encuentran amenazadas por un proyecto capitalista agroexportador que negocia con la vida, destruyendo la naturaleza, declaramos:

  1. Difundir y defender con coraje el valor de las semillas nativas y criollas que, ancestralmente, sostuvieron la seguridad y la soberanía alimentaria.

  2. Impulsar el rescate y la multiplicación de las variedades de semillas nativas.

  3. Detener la modificación del artículo Nº 35 de la ley 385/94 de Semillas y Protección de Cultivares.

  4. Defender el derecho legítimo del intercambio de semillas nativas entre los productores campesinos e indígenas.

  5. Impulsar en el Congreso Nacional la aprobación del Proyecto de Ley de las Semillas Nativas.

  6. Detener el cultivo de las semillas genéticamente modificadas (transgénicas), como principio de prevención y precaución.

  7. Que el SENAVE certifique, controle y garantice la calidad de las semillas distribuidas gratuitamente por Itaipú, Yacyreta y el Ministerio de Agricultura y Ganadería.

  8. Que el SENAVE desarrolle un plan de acción interinstitucional con el Ministerio de Educación y Cultura (MEC) para la presentación de un programa de educación en todos los niveles sobre las semillas nativas como rescate de la identidad nacional en el marco del Bicentenario de la Independencia Nacional.

  9. Que el SENAVE, siga fortaleciendo el trabajo interinstitucional con todos los ministerios del Poder Ejecutivo en bien de las organizaciones y comunidades indígenas y campesinas.

  10. Que el SENAVE pueda replicar este espacio de discusión, difusión y aprendizaje sobre las semillas nativas a nivel nacional, por departamento.

Igualmente hacemos una crítica al avance desmedido de un modelo de producción mercantilista, corporativista, que busca patentar la vida, adueñarse de nuestras semillas y destruir la biodiversidad.

Desde este espacio convocamos a todo el pueblo paraguayo a defender la vida, la biodiversidad, a resistir a esta “guerra verde” de la agricultura extensiva; así también repudiar todo atropello a las acciones campesinas, indígenas y populares que defienden su soberanía y seguridad territorial y alimentaria.

Finalmente instamos a la unidad y solidaridad de todos los pueblos Latinoamericanos, en el marco del proceso de integración, para poner freno al avance voraz y criminal de las multinacionales del agronegocio que amenaza severamente nuestras soberanías y nuestras vidas-

¡UNIDOS POR UN PARAGUAY SIN TRANSGÉNICOS!

¡VIVAN NUESTRAS SEMILLAS NATIVAS Y CRIOLLAS!

¡VIVA EL PARAGUAY SOBERANO!

Asunción, 30 -31 de mayo y 1 de junio de 2011

Firmantes

Pueblos originarios:

Pueblo Ache Kanindeju, de Caazapa

Pueblo Ava Guarani Kanindeju, de Alto Paraná, Caaguazú, Itapúa, San Pedro

Pueblo Mbya Guaraní, de Guairá, Itapúa, Caazapá

Pueblo Guaraní Ñandéva, del Chaco

Pueblo Nivacle, del Chaco

Pueblo Enxet, del Chaco

Pueblo Pai Tavytera, de Amambay, Canindeju, Concepción

Organizaciones Campesinas:

CAP, de Itapúa

CCI (Coordinadora Campesina de Itapúa) – CNOCIP

OC (Organización Campesina), de Itapúa

FNC (Federación Nacional Campesina), de Itapúa

MCP (Movimiento Campesino Paraguayo), de Alto Paraná, Canindeju, Caaguazú, San pedro

OLT (Organización de Lucha por la Tierra), de San Pedro, Canindeju

TRP (Tesai Reka Paraguay), de Caaguazú y Canindeju

CPCC (Coordinadora de Productores Campesinos de Cordillera)

OP.Porá SIFA, del Guairá

ONAC (Organización Nacional Campesina), de Caazapá

INVISTO MBATOVÍ, de Itapúa

FPP (Frente Patriótico Popular), de San Pedro

Consejo Distrital de Mujeres, de San Pedro

MAP (Movimiento Agrario Popular), de Caaguazú, Paraguarí

Consejo Distrital de Edelira, Itapúa

UCI (Unión Campesina de Itapúa)

Escuela Agrícola Yhovy, de Canindeju

UCN (Unión Campesina Nacional), de Itapúa

OCRC (Organización Campesina Regional Concepción)

CNOCIP (Central Nacional de Organizaciones Campesina Indígenas Populares), de Itapúa, Caaguazú, San Pedro, Canindeju

OCNP (Organización Campesina Norte Pyahu), de Concepción

ACCAA (Asociación Campesina Comunitaria Asentamiento Arroyito)

OCAZMA (Organización Campesina Azotey del Medio Ambiente)

Pastoral Indígena

Asociación de Mujeres Santa Cecilia, de Concepción

Asociación de Feriantes de Horqueta

MCNOC (Mesa Coordinadora Nacional de Organizaciones Campesinas), de San Pedro, Canindeju, Cordillera, Caaguazú, Alto Paraná, Itapúa

CONAMURI (Coordinadora Nacional de Mujeres Rurales e Indígenas), de Canindeju, San Pedro, Itapúa, Caaguazu, Concepción

COSOR (Coordinadora de Organizaciones Sociales de Repatriación)

Asociación Oñondivepá, de Caaguazú

Frente Social y Popular, de Canindeju

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Paraguay fue sede de la Reunión Política del Cono Sur de la -Vía Campesina

cono_surEn la ciudad de Asunción, capital de Paraguay, del 28 al 30 de mayo pasado, se realizó la reunión política de las organizaciones del Cono sur de la CLOC- Vía Campesina. En esta reunión participaron 20 organizaciones campesinas e indígenas de países de Paraguay, Chile, Argentina y Brasil. Más de 50 dirigentes analizaron, debatieron y reflexionaron la coyuntura y profundizaron las líneas de acción y agendas. La reunión tuvo como objetivo hacer un balance del proceso del V Congreso de la CLOC- Vía Campesina, realizado en Quito en octubre del año pasado y también hacer un balance sobre las líneas de acción definidas en la Conferencia Intermedia de la Vía Campesina que se efectuó en marzo de este año en Francia.

Por un lado, la reunión del Cono Sur contó también con un momento de reflexión y formación motivado y coordinado por el MAP de Brasil en cuanto a las tesis sobre el campesinado, aportado diversos elementos teóricos que demuestra que el campesinado es un actor con todo el potencial para alimentar a la humanidad sin poner en riesgo al planeta. Asimismo, se identificó elementos de la ofensiva del capital sobre el campesinado y las falsas soluciones entorno al término “Agricultura familiar” que muchas veces intenta suplantar y borrar la historia de las campesinas y campesinos.

cono_sur_2Cabe destacar que  más de analizar todos los desafíos internos como región, como CLOC y como Vía campesina, se coordinó una intensa agenda de formación y comunicación con distintas acciones a nivel nacional, regional y continental. Se reflexionó sobre cómo dar impulso y fuerza a las acciones en torno a la campaña contra los agrotóxicos y la campaña de la no violencia contra la mujer.

Otros de los temas de agenda destacado fue la planificación del XI Campamento Latinoamericano de jóvenes que se realizará en Argentina a principios de octubre, los jóvenes de la región se reunieron para ajustar detalles organizativos, ya que se espera una participación de 2000 jóvenes de la CLOC Vía Campesina. Las delegadas y delegados socializaron los planes de lucha de cada país y se ajustaron las fechas de movilización continental e internacional, haciendo énfasis en la necesidad de articular continentalmente, se hizo un especial llamado a participar de la Asamblea del ALBA de los movimientos a realizarse a fines de octubre de este año en Brasil.

La reunión se desarrolló en un ambiente de mucha mística y camaradería, con momentos fraternos como la cena preparada por los compas del MCNOC en su local de Asunción.

Finalmente, el pasado Lunes 30 por la mañana las delegaciones participaron de la Feria de Semillas Criollas en dicha actividad estuvo presente el presidente Lugo y varios ministros. Francisca Rodríguez, compañera de ANAMURIexpuso los principios de la CLOC- Vía Campesina en torno a la defensa de las semillas como patrimonio de las campesinas, campesinos indígenas al servicio de la humanidad. Magui Valbuena, dirigente de CONAMURI en representación de las organizaciones de la CLOC- Vía Campesina Paraguay entregó al presidente Lugo u proyecto para proteger y fortalecer a las semillas nativas en manos campesinas indígenas.

La actividad culminó con la visita de la delegación al curso de formación de militantes de Base del cono sur. De esta manera los dirigentes de la región intercambiaron y compartieron los temas de la reunión y los balances del curso, terminando con una cena y una fiesta conjunta.

Coordinación del Cono Sur

CLOC – Vía Campesina

Globalicemos la lucha globalicemos la esperanza!

Contra el saqueo del capital y del imperio!

América Lucha!

 

 

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El Retorno del Coordinador General del Frente Manuel Zelaya es una victoria de la Resistencia Hondureña

MEL_1Tras 23 meses de destierro, luego del golpe de Estado Zelaya y demás exiliados regresan al país, Se estima que más de un millón de mujeres, hombres, jóvenes y niños esperaron durante unas 8 horas consecutivas en la plaza Isis Obed Murillo frente al aeropuerto Toncotin de Tegucigalpa la llegada del coordinador General del Frente Nacional de resistencia Popular José Manuel Zelaya Rosales, este retorno es considerado una victoria más del frente.

 

Miles de personas de todo el país llegaron este Sábado 28 de mayo a recibir a Zelaya , hubieron caravanas de todos los 18 departamentos unas personas llegaron desde el día viernes y otras personas el día sábado a tempranas horas de la mañana en una fiesta cívica del pueblo en resistencia , ahí permanecieron la mayor parte de personas hasta aproximadamente las 3:00 de la tarde bajo un inclemente sol a la espera de la llegada de Zelaya .

Los actos de bienvenida duraron alrededor de una hora, la primera en dirigirse al publico fue la hija de Zelaya conocida popularmente como la “PICHU” quien agradeció el apoyo que la habían brindado a su padre y a su familia durante estos casi dos años , posteriormente lo hizo él comandante Zelaya y su esposa y luego continuaron brevemente los cónsules y demás perMEL_2sonas que le acompañaban , luego de dar por finalizado el acto i comenzó a caer una fuerte lluvia que bañó a todas y todos los presentes , que no se cansaban de gritar consignas y dar las gracias a los embajadores de Venezuela , Colombia, México y otros representantes de movimientos sociales de Latinoamérica por su apoyo al pueblo hondureño durante estos 23 meses de lucha del frente de resistencia.

Por su parte Zelaya al dirigirse a la multitud que le aplaudía sin parar expresó” estoy aquí en la tierra que me vio nacer gracias a La Resistencia , saludo a los pueblos de Latinoamérica que han estado al lado del pueblo hondureño en resistencia por vías pacificas , diplomáticas sin violencia, los problemas de los pueblos no se resuelven con violencia ,sino con mas democracia , participación , con la bandera de la paz y la reconciliación y la libertad, rindo tributo a los mártires que dieron no su vida po r una lucha justa uno de ellos Isis Obed Murillo calló en este lugar donde estamos ahora en este acto”.

MEL_3Entre tanto Nicolás Maduro de la república Bolivariana de Venezuela dijo” queremos transmitir a este pueblo de honduras toda la solidaridad, el compromiso del pueblo revolucionario de Venezuela y del comandante Hugo Chávez Frías , quiero decirles a los campesinos, obreros, indígenas , estudiantes que cuenten con los pueblos de América Latina , viva la unidad de nuestros pueblos concluyó”.

GOLPES DE ESTADO, NUNCA MÁS

MEL AMIGO, EL PUEBLO ESTÁ CONTIGO

 

 

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Guatemala: 33 años de la masacre de Panzós

La vida de hombres y mujeres inocentes ha sido y siguen siendo sacrificadas por exigir el derecho al uso y tenencia de la tierra en Guatemala.

La lucha por tener acceso a la tierra ha sido histórica en Guatemala, donde han perdido la vida aquellos hombres y mujeres que han pedido se respete sus derechos, Panzós fue testigo de la muerte de varios campesinos y campesinas que hace 33 años se reunieron en la plaza pública de Panzós para conversar sobre la falta de acceso a la tierra y sobre las violaciones que cometían los finqueros y así presentar en conjunto su petición a la autoridad local señor Walter Overdick García quien en ese entonces fungía como Alcalde de Panzós.

El municipio de Panzós se ubica en el Valle del Polochic de Alta Verapaz, Valle que ha estado habitado desde la historia por población q´eqchi´y poqomchi´, la defensa de la madre tierra y la defensa de los recursos naturales ha sido bandera de lucha de las poblaciones indígenas y campesinas, sin embargo decretos como el 170 de Redención de Censos hizo a que los indígenas y campesinos fueran expropiados de sus tierra y con la expropiación se favoreció a agricultores extranjeros en este caso alemanes.

Después de que las y los campesinos gozaran de una propiedad comunal el valle se convirtió en propiedad privada destacando la característica de seguir acumulando la tierra en pocas manos y continuar con la explotación de los «mozos colonos».

Antes de la masacre las y los campesinos vivieron momentos de intimidación y persecución por parte del ejército y terratenientes que los intimidaban para que ya no exigieran tierras, sin embargo las y los campesinos continuaban exigiendo su derecho.

Para manifestar su descontento por actos de represión que realizaban los finqueros y autoridades locales y militares, el 29 de mayo de 1978, campesinos de las aldeas Cahaboncito, Semococh, Rubetzul, Canguachá, Sepacay, finca Moyagua y del barrio La Soledad, decidieron realizar una manifestación pública en donde cientos de hombres, mujeres, niños y niñas indígenas se dirigieron a la plaza de la cabecera municipal de Panzós, después de estar abarrotada la plaza inició el tiroteo por parte del ejército.

Cómo inicio el tiroteo dirigido hacia los asistentes de la concentración? Existen varias versiones sin embargo lo certero es que el teniente que dirigía la tropa militar dio la orden para disparar contra la gente reunida donde fueron acribillados mas de 50 campesinos y campesinas ese día se produjo la masacre de Panzós.

En la actualidad cientos de familia q´eqchi´s siguen siendo víctimas de persecución intimidación amenazas y masacres por parte de finqueros tal es el caso de cientos de familias del Valle del Polochic en donde “continúan siendo amenazados por los descendientes de familias extranjeras como los Widmann que se han convertido en los principales violadores a los derechos humanos de las y los campesinos” señaló un comunicado de Comité de Unidad Campesina CUC.

La problemática agraria en el país es permanente porque los gobiernos no han implementado políticas de Estado para atender la demanda de las y los campesinos y no han tomado en cuenta las propuestas de Ley tal como la iniciativa de Ley de Desarrollo Rural Integral propuesta por las organizaciones entre ellas la Coordinadora Nacional de Organizaciones Campesinas CNOC.

En un comunicado el CUC exigen al Estado resarcimiento psicológico y económico a las familias de las víctimas de la masacre de Panzós y de la familia de Antonio Beb y Oscar Reyes, asesinados recientemente en el Valle del Polochic.

Asimismo exigen a los tres organismos de estado atender la histórica demanda de acceso a la tierra de las comunidades campesinas de Panzós, y Justicia para las y los caídos en la lucha por el acceso a la tierra en Panzós.

 

 

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Paraguay: Semana de la Semilla

afiche_semillasDebido a la inauguración de la “Semana de la Semilla”, que se realizará entre el 30 de mayo y el 1 de junio, en el predio del Ex Seminario Metropolitano, la Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo (CLOC) y La Vía Campesina Sudamérica, se dirigen a la opinión pública nacional e internacional para manifestar cuanto sigue:

La aprobación en Chile, días pasados, de la Ley de Obtentores de Semillas, a través de la cual se patentarán no solo las semillas, sino que afectará a todo tipo de vegetales, permitiendo, a la vez, ingresar al mercado los productos transgénicos, legitima el despojo a las comunidades campesinas e indígenas y violenta la soberanía alimentaria con un golpe fatal.

Consideramos esto como un grave atropello legislativo y un retroceso para nuestros países porque se traduce en una amenaza latente que puede alcanzar a toda la región, conocida mundialmente por su carácter agroexportador de materias primas y producción transgénica, que no reporta beneficio alguno para la población y solo perpetra crímenes continuos contra la biodiversidad.

Esta ley aprobada en el Congreso chileno favorece solamente a las corporaciones multinacionales como Monsanto y otras, que lucran con el patrimonio y la riqueza genética de los pueblos. Con la privatización de las semillas, se crean condiciones en el país andino para extender los cultivos transgénicos y el uso indiscriminado de agrotóxicos, con todos los efectos que esto entraña: más violación de derechos campesinos, más daño irreversible contra la Madre Tierra.

Esto es resultado de las discusiones que se desarrollan en el marco de la UPOV 91, la Unión Internacional para la Protección de las Obtenciones Vegetales, organismo intergubernamental de la que Paraguay también forma parte desde 1997. Hoy es Chile; mañana, distraídamente, el Congreso paraguayo podría emular a sus colegas andinos en esta coyuntura desfavorable de confrontación de intereses.

La CLOC y La Vía Campesina declaran su lucha permanente contra los agrotóxicos y por la soberanía alimentaria, además de expresar su solidaridad plena con la lucha y la movilización de los campesinos y campesinas de Chile. Sería de lamentar que experiencias como la chilena, bajo un gobierno entreguista y neoliberal, se repliquen en nuestros países. De acuerdo a lo estipulado en la Declaración de Bali, somos víctimas de una guerra por el control de las semillas porque las empresas multinacionales se disponen a atacar deliberadamente a las poblaciones rurales.

Que en esta semana dedicada a nuestras semillas nativas y criollas no olvidemos que existe una propuesta elaborada por los movimientos campesinos e indígenas, el proyecto de ley de protección y defensa de semillas nativas y criollas del Paraguay, que será impulsada por el Servicio Nacional de Calidad y Sanidad Vegetal y de Semillas (Senave) en instancias del Congreso Nacional, bajo el riesgo de la indiferencia de quienes debieran anteponer los intereses colectivos a los individuales.

¡Las semillas campesinas son dignidad, cultura y vida!

¡Por la tierra y la soberanía de nuestros pueblos! ¡América lucha!

 

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Os negócios da violência no México

Os negócios da violência no México

Entrevista – Para a economista Ana Esther Ceceña, os massacres que vêm ocorrendo no norte do país têm estreita ligação com o projeto militarista de sociedade implementado nos últimos anos

Sílvia Alvarez da Cidade do México

Em agosto do ano passado, 72 imigrantes vindos das Américas Central e do Sul tentavam cruzar o México para chegar no país que se autodenomina “América”. O sonho de trabalhar nos Estados Unidos foi interrompido quando os jovens foram brutalmente assassinados, no estado de Tamaulipas, perto da fronteira. Nesse mesmo local, no ano seguinte, foram encontradas fossas clandestinas que guardavam 183 cadáveres. Notícias sobre assassinatos, sequestros e torturas são cotidianas desde que o presidente Felipe Calderón declarou “guerra ao crime” e colocou o exército mexicano nas ruas.

 

Frente a esse projeto militarista de sociedade emergiu, nas últimas semanas, um movimento nacional que culminou na Marcha pela Paz, na qual participaram 20 mil zapatistas. A marcha denunciou o assassinato de 40 mil pessoas e exigiu um outro projeto de segurança para o país, baseado no respeito aos direitos humanos.

Mas, quais são as reais raízes da violência no México? Fizemos essa pergunta à pesquisadora Ana Esther Ceceña, do Observatório Latino-Americano de Geopolítica, da Universidade Autônoma do México (Unam). A pergunta é simples, mas se desdobra em muitas reflexões: “De onde vem essa violência, eu não sei dizer ao certo, pois vem de muitos lugares. Precisaria fazer uma radiografia”, refletiu modestamente Ceceña. No entanto, ao longo da entrevista, o que fez a pesquisadora foi justamente essa radiografia, ou um início dela. “São muitos negócios que estão em jogo no México e todos implicam num enorme uso de violência”, apontou. Ao final da conversa o que ficou claro é que em todos esses negócios estão envolvidos os Estados Unidos da América.

A pesquisadora explica que, após a crise do Partido Revolucionário Institucional (PRI), criado como desdobramento da Revolução Mexicana, de 1910, e a chegada do Partido de Ação Nacional (PAN) ao poder, o México teve uma mudança de papel importante no continente americano. “Além da incorporação voluntária do neoliberalismo, há a aproximação física com os Estados Unidos. Nossa economia está imbricada com a deles, somos muito dependentes da dinâmica da economia estadunidense, mas também da política”. Para Ceceña, a política de reordenamento militar dos EUA para o seu território se estende até o México. E é na fronteira norte desse país onde começamos a radiografia.

A Fronteira com os EUA

“É uma fronteira muito vistoriada, mas eles seguem dizendo que é porosa. De algum modo é porosa, porque passam imigrantes, drogas. Mas eu creio que não passam sem serem reconhecidos. Ou seja, me parece que aí tem uma cumplicidade que não sei se só de máfias ou dos próprios governos locais. São grandes negócios os da passagem de imigrantes, passagem de armas e passagem de drogas. Isso começou a ter quase um carácter estrutural, digamos. Esta droga que vem da América do sul, que teria que passar por aqui pra chegar aos EUA, pode chegar também por mar, mas chega mais por terra. Então, essa fronteira se torna chave para isso, mas se torna chave para muitas outras coisas, por exemplo, para o mercado de trabalho irregular norte-americano.

Há 10 anos começam a dizer que é um risco, um problema de segurança nacional número um para os EUA, então começam com todas as ideias de construção do muro, de como controlar a fronteira, de que é preciso trabalhar com o corpo de segurança mexicano. Se estabelece um acordo que é parecido com o Tratado de Livre Comércio das Américas do Norte (Nafta). É um acordo de ‘segurança e prosperidade’ que, na verdade, é como um complemento do Nafta. Ou seja, a América do Norte, passa a ser não só uma área econômica comum, mas também uma área de segurança comum, o que permite que os corpos de segurança dos EUA possam estar na fronteira sul com o México. E aí é onde começa a ideia de Plan México, que logo se chama Iniciativa Mérida.”

O negócio da droga

“O negocio da droga já estava no México desde antes. Não é certo que começa recentemente. Ou seja, havia gente que cultivava marijuana desde antes. Então, não é uma novidade. A novidade é como começa a se organizar o mercado da droga, já de maneira mais estrutural, mais transnacional. Eu, evidentemente, penso que não podemos imaginar que são atores locais os que movem esse grande negócio, que é, além disso, planetário. Ou seja, não podemos pensar que um mexicano de uma comunidade aí perdida, de repente decidiu que ia começar a vender a droga em grande escala: ‘vou levar a marijuana até os EUA pra ver quem compra’. As coisas não ocorrem assim no capitalismo. Existem circuitos estabelecidos e são circuitos muito controlados. Estamos em um momento da historia do capitalismo em que temos grandes monopólios, oligopólios. O funcionamento das economias não é, de nenhum modo, de livre mercado e de pequenos produtores. E não pode ser em nenhum tipo de negócio, muito menos na droga que é um grande negócio. Das armas tampouco funciona assim. Como vamos pensar que isso é um negocio pequeno? Aí têm que estar grandes capitais. E os maiores capitais estão nos EUA.

Os grandes bancos onde o dinheiro do tráfico é lavado são norte-americanos. Também são de outros lados, mas são dos grandes capitalistas, dos grandes banqueiros do mundo. Não é um negócio diferente, em muitos sentidos, dos outros negócios. É um economia ilegal, mas é uma economia que tem regras de jogo muito parecidas com a dos outros setores.”

A violência e o projeto militarista de sociedade

“O que faz a ilegalidade? Se conecta com a violência. Justamente como é ilegal, tem que relacionar-se de outro modo com as instituições. Tem que relacionar-se de outro modo com a população. A competição se dá em outro terreno. Então, parte disso é o que há movido essa violência desatada. Não somente no México, mas em muitas partes.

Eu creio que o continente em seu conjunto está muito mais violento que antes. Mas, essa violência, serviu para desarticular os tecidos comunitários. Então não deve ser uma violência tão espontânea. Ou seja, foi dirigida de algum modo. O caso de Colômbia é muito ilustrativo, temos que ver com uma lupa. O que se fez muito lá com os paramilitares é que se dedicavam a plantar o terror e voltamos a esse ideia de comoção e pavor, que eu acredito que seja um critério básico que se repete em muitos níveis distintos. Plantar o terror é desestruturar a comunidade. Como as desestruturam? Bom, assassinam os homens, e provocam um problema ali de sobrevivência da comunidade não somente econômico, mas intergeracional; matam os jovens, lhes destroem o futuro; violam as mulheres, etc. Ou seja, ocorrem muitas coisas, mas ao mesmo tempo paralisam as pessoas, porque elas ficam com medo, como não vão ter medo? São coisas horríveis que acontecem. Como não vai ter medo se decapitam teu vizinho? Na sua frente… um vizinho que não tinha nada a ver com negócios ilegais. Ou seja, matam a uma pessoa comum, você também é comum, então tem que ter medo.

Então, essa é a dinâmica que se estabelece com a violência. No México, o que eu vejo é que isso vem crescendo a partir de 94. Nos primeiros anos do zapatismo se triplicava o gasto e a infraestrutura militar. E se compravam armas e gente que ia à Escola das Américas, etc. Mas, há ocorrido, sobretudo a partir dos anos 2000, de maneira muito mais organizada. Depois de 94, foi uma reação ao levantamento zapatista. Mas, agora já é um projeto militarista da sociedade mexicana. Então, o crescimento começa a ser muito mais sistemático, lhes aumentam o salário a cada tempo, nem se quer a cada ano. Felipe Calderón triplicou o salário dos militares em 4 anos. É impressionante. Ele entra e o primeiro que faz é aumentar o salario dos militares. Porque, claro, entrou pelas mãos deles, senão não teria entrado.

Porque ganhou Calderón? Quem colocou esse candidato tão débil? Como chega a ganhar um candidato assim? Porque seus credores o colocam para que ganhe e lhes pague a dívida. A quem ele tá pagando a dívida? A essa política militarista em grande medida.”

O exemplo da Cidade Juarez

“Ciudad Juarez é uma cidade na fronteira com os EUA que é muito perto do lugar onde operava Pancho Vila (um dos comandantes da Revolução Mexicana de 1910), sempre foi um lugar muito importante na história de México. Desde aí Pancho Vila invadiu os EUA. Mas, nessa cidade começam a ocorrer sequestros de mulheres jovens. Pegam uma mulher e a torturam, violam, matam… e seu corpo aparece o corpo por aí. É uma cidade onde tem muita indústria de maquilla (indústria de confecção, famosa pela superexploração do trabalho), na qual trabalham muitas mulheres, que são mulheres sozinhas, mães solteiras, estilo ‘mulheres indefesas’. Começou com uma, logo com outra, depois outra, começou a ser algo reiterado. E até agora são casos que não foram nem investigados. Muitas organizações de direitos humanos dizem que há provas de que o exército esteve envolvido. A polícia não investiga nada nem nunca encontra um culpado.

É uma coisa muito grande e muito difícil de entender, mas que serve para fazer declarações do outro lado. Os Estados Unidos se sentem ameaçados por uma situação assim em sua fronteira. Então, querem colocar um muro; fazem declaração de que isso é um risco para a segurança nacional e de que eles tem que tomar posição no assunto, porque o Estado mexicano não está podendo controlar essa cidade falida. Se é uma cidade falida então você tem o direito de defender-se dela, porque te está colocando em risco. Essa é a politica que nos vem desde lá.

Começou a estender-se essa situação em diferentes cidades fronteiriças. Numa cidade de Tamaulipas mataram o chefe da polícia. Nomearam outro e em duas horas o mataram. Nomearam outro e ocorreu o mesmo. Ninguém mais quer ser chefe da policia. Então, que acontece? Cidade falida outra vez. E começam a ter muitas cidades falidas por ai. Começam os EUA a insistirem muito em que a justiça mexicana é questionável. Começam a dizer que aqui não podemos julgar aos delinquentes vinculados ao narcotráfico, então temos que entregá-los à justiça estadunidense. Foi muito grave quando entregaram o primeiro porque, independentemente de quem tenha sido o fulano, que não era nem tão importante, se abriu um precedente de perda de soberania judicial nesse país. Houve alguns outros incidentes. Mataram a um estadunidense em Ciudad Juarez. Uh! isso foi o escândalo total. Porque aí sim, então, os EUA – depois que já mataram tantos mexicanos lá – podem intervir aqui.

Ou seja, ocorrem essas coisas que uns conspiracionistas diriam: “foi fabricado para permitir a intervenção e para ir fazendo as bases dessa intervenção”. Há pouco tempo, teve outra morte em Ciudad Juarez de um estadunidense. Entrou, então, a força de segurança dos EUA e trancaram uma rodovia. Eles decidiram fechar uma rodovia para investigar. Uma rodovia mexicana. Fechada por autoridades estadunidenses.”

O negócio da guerra

“Muda o tipo de violência no México a partir de 2006, quando começa a famosa guerra contra o narcotráfico. E essa guerra tem sido muito produtiva em termos dos negócios, que são justamente os ilegais, das armas, da droga, das máfias. Ou seja, ser máfia é um negocio. Não somente se vendem produtos, mas se vendem serviços. Que podem ser serviços de software, de organização administrativa, mas pode ser também serviços de matadores de aluguel, de mercenários.

Uma das empresas mais ricas nos Estados Unidos, que é a Blackwater, por exemplo, é uma empresa que produz tropas de elite e capacita o exército dos EUA, ou seja, está acima do exército, capacitando-o. É algo muito particular. A guerra hoje é muito privatizada e as vezes esquecemos disso. Então, um banqueiro que tem muito dinheiro e tem medo de ser sequestrado contrata um serviço de proteção privado. O problema é que esses serviços são armados. Podem matar… isso em princípio rompe com o monopólio da violência que tem que ter o Estado e isso não tem nada a ver com o Estado de direito. Existem atores soltos que, além disso, por segurança, são relativamente encobertos. Porque você não pode anunciar “eu sou Juan Perez, matador de aluguel, contrate-me, meu telefone é esse”. Não! Ou seja, é uma companhia que não revela seus dados, porque são ‘confidenciais’.”

O negócio da imigração

“Como fazem pra convencer um imigrante de que pague um “pedágio”? Imagine, um imigrante é um trabalhador muito pobre, que se vai porque não lhe resta opção em seu lugar de origem; que consegue, como seja, um pouquinho de dinheiro pra pagar todos esses pedágios que lhe vão cobrando até chegar aonde tem que ir trabalhar, que é no sul dos EUA, geralmente. Imagine o que é o esforço da família para mandar esse jovem, que as vezes é o filho mais velho, ou seja, um jovem no qual a família deposita toda a esperança e desde que sai de seu lugar vem sendo maltratado: por gangues, matadores de aluguel, policiais de imigração de diferentes lugares, todo mundo o maltrata.

Como o maltratam? Por exemplo, está um grupo de 30 imigrantes que vem num mesmo meio de transporte da América Central para chegar aos EUA. Então, pegam um deles, torturam-no diante dos demais, ou o matam, ou o mutilam, qualquer coisa dessas, para que os demais se convençam de que é melhor lhes dar o dinheiro. Ou seja, é uma violência vinculada a negócios ilícitos diversos, mas que nos está dizendo que não pode ocorrer se não há uma colaboração de autoridades, em nenhum desses lugares, incluindo EUA. Há uma colaboração de autoridades, há um problema de institucionalidades, um problema de Estado de direito.

Na última fossa que encontraram, os quatro últimos cadáveres eram de pessoas que estavam custodiando as fossas e morreram defendendo-as. Ou seja, são 4 mortos mais, mas que não pertenciam a fossa. Quem são? Quem cuida dessas fossas? Uma coisa que é forte também nessa historia da implantação da violência é que, igual que a Colômbia, não escondem muitas vezes os cadáveres, ao contrário, os cadáveres são expostos. Na Colômbia uma das coisas que mais me impressionou é que pegavam jovens de uma comunidade, o decapitavam, e no dia seguinte apareciam estacas com as cabeças na mesma comunidades. Imagina o que isso significa? Bom, aqui começaram a fazer coisas desse tipo. Os sequestradores te mandam um dedo, uma orelha, expõem cabeças, mas sobretudo te mandam os mortos. ‘Teu morto, aí está’. Isso já é outra coisa, me parece que não é uma violência comum, senão que uma violência pensada, com propósitos explícitos: querem atemorizar, paralisar.”

Quem lucra com a imigração

“A migração responde, assim muito elementarmente, a duas coisas: necessidade de trabalhadores baratos de um lado e uma carência de condição de reprodução do outro lado. Isso no México e nos Estados Unidos é velho, mas tem crescido muito. O México começou a perder autossuficiência, pois sempre foi um pais autossuficiente, ou seja, tínhamos um campo muito rico, fértil. Alimentos em abundância. Com a revolução verde e com muitas coisas como a industrialização, começa a mudar. Isso acentua a dinâmica econômica que havia entre essas duas economias. A partir de certo momento, também começa a ter uma indústria da migração. A rota dos migrantes é um negócio, como já falamos.

Depois tem Western Union (banco que faz transferência de dinheiro entre países) e as remessas, que são ao mesmo tempo um negócio e um elemento de interesse nacional. No México, em certos anos, se recebe mais de remessas do que de petróleo vendido ao exterior. E somos um país exportador de petróleo. E aos países centro-americanos, nem se fala, é um pilar das economias. E, claro, quando vem as remessas tem todas as comissões aos bancos , que é um negócio derivado disso. E tem muitas outras coisas, como os negócios dos celulares, etc. Mas há também a mudança do padrão de vida. Na fronteira dos EUA em época de natal ou de dia das mães, ou vem gente carregada de presentes, ou então mandam os objetos. Aqui tem uma loja que se chama Elektra que fazem esses envios de dinheiro, mas também é uma loja que vende eletrodomésticos. Então, a família do migrante vai lá buscar a remessa e ali mesmo tem todas as ofertas de tudo o que necessitas na tua casa, supostamente.”

“Nem tudo tem cor verde oliva”

“Efetivamente há uma visão militar e militarista do processo em seu conjunto. Hoje, a reprodução do planeta está pensada militarmente. Mas, isso não quer dizer que tudo tenha cor verde oliva e que tudo seja base militar. Há modos de pensar desde esse projeto militarista, de pensar a estratégia de disciplinamento social que tem que ver com politicas culturais e não com bases militares. E isso é algo que, de repente, não se percebe bem.

Eu penso que temos que fazer como um espectro amplo do que é o âmbito de ação dessa estratégia militarista em todos os espaços da vida social. E em cada um deles ir identificando os mecanismos que efetivamente tem a ver com essa estratégia. Não militarizam a universidade quando se muda os planos de estudo. A militarizam quando a ocupam os militares. Mas a mudança dos planos de estudo é parte desde uma estratégia pensada desde a perspectiva militar.

Na maioria dos lugares o que ocorre é que não são os militares, mas sim a polícia, que vai fazer a repressão, o disciplinamento. Ou são forças privadas, às vezes, essas que falávamos. Esses corpos de segurança contratados. Se fazem também através dos códigos penais, então quem são aí os atores? Os deputados. Ou seja, não um ator militar senão que politico, de representação social. Então é muito importante nos darmos conta de que quiçá é mais perigoso, por exemplo, o trabalho que faz a USAID com comunidades indígenas de transformação de mentalidades, porque é isso o que trabalham muitas vezes.

Aqui havia uma instituição que se chamava Instituto Linguístico de Verão. Trabalhava com a CIA e aqui esteve muito tempo na zona de Chiapas e Oaxaca. E trabalhava com os indígenas e era curioso, pois havia muitas regiões onde os indígenas falavam algumas das diferentes vertentes do idioma maia e inglês. Não falavam espanhol, por exemplo. Ou seja, esse tipo de trabalho é mais perigoso, pelo que implica em termos de construção de mentalidade, do que a instalação de uma base militar diretamente

A base militar tem seus efeitos, é também algo que temos que colocar muita atenção, mas não é o mais perigoso. O mais perigoso é que essa base militar é um ponto fixo para articular muitas outras coisas. As vezes a base militar pode afetar menos uma zona cerca e afetar mais uma mais longe, porque pode ser uma base mais pensada em termos de estratégia mais ampla. Tem que analisar todas as peças desse mecanismo de dominação. Nem tudo é militar.”

Quem é

Investigadora do Instituto de Investigações Econômicas da Universidade Autônoma do México (Unam), a mexicana Ana Esther Ceceña é membro do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), coordenadora do Observatório Latino-americano de Geopolítica e integrante da Campanha de Desmilitarização das Américas (Cada).

 

 

 

 

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Argentina: Empresarios Españoles destruyeron puesto campesino con topadoras en Mendoza

Fue en Jocolí, cerca del límite con San Juan, aprovecharon la muerte de un campesino, para pretender sostener que el lugar estaba abandonado. Además con una desproporcionada cantidad de obreros corrieron su limite 5 kilómetros mas al sur dejando el predio dentro.La familia campesina instalo una carpa en el lugar con el apoyo de la comunidad y el movimiento Desde la fiscalía se amenaza con imputar a los campesinos por usurpadores.

El empresario, Antonio José Marchal Marchal, un millonario español que “quiere desarrollar allí el emprendimiento olivícola mas grande del mundo por una cuestión de desafío personal” para ello se esta apropiando de campos y por sobre todo de vertientes y acuíferos. En el lugar ya tiene 32 mil has, aunque luego de esta acción ya en la pagina web de la empresa hablan de 38 mil has. El establecimiento conocido como finca Doña Carmen, con cerca de 2000 mil hectáreas de olivares, ubicados en el pedemonte, sin estudios serios de impacto ambiental, utilizando el agua de las vertientes y napas de agua justo en la naciente.

 

José Celestino Sarmiento se instalo en esa zona en el año 1944, y en ese campo se criaron sus hijos, entre otros José, Pablo, Juan y Martín. Fueron instalando viviendas en distintos puntos del campo para facilitar el manejo de los animales y los cuidados de las mejoras que se fueron haciendo. Represas, corrales, aguadas, etc.., Al morir los padres quien quedo en la casa paterna fue José hijo, , quien falleció a fines del año pasado.

Desde entonces ese punto del campo ( que siempre fue lugar de parada de los arrieros y animales) es cuidado por distintos miembros de la familia.

Hace unos quince días, la empresa Argenceres S.A de la cual Antonio José Marchal es presidente, aunque a su vez hay varias empresas mas con sellos locales que le pertenecen, comenzó a realizar daños y a correr su limite hacia el campo de los campesinos. Los campesinos hicieron varias denuncias en la policía de la cual hay constancias.

El martes 24 de mayo, cuando volvían el pueblo se encontraron con toda la vivienda destruida, las piletas de agua, y un pequeño galpón de acopio de forraje también destruido. Rastros de cargadoras y topadora. Y un alambrado que avanzaba envolviendo al puesto.

Por la mañana del 25 de mayo el oficial ayudante Cristian Gatica no quiso tomarles la enuncia luego de hacerlo esperar dos horas en la sub comisaria el porvenir.

La fiscal mendocina Maria Luisa Canata ha dado la orden de que los campesinos salgan del lugar o los imputara por usurpación y “daño” (??) . En el lugar se hicieron presentes en tono amenazante obreros y abogados de la empresa, junto a la policía y un español que se presento como el propietario de la empresa.

Las familias campesinas resistirán en el lugar

Conocemos mucha gente que ha trabajado algún corto tiempo en doña Carmen, mal pagos, con contratos basura, echando venenos en cuatriciclos, durmiendo en casillas. Daño al ambiente, apropiación de nuestros recursos, y trabajo precario, ese no es el desarrollo que que queremos

El agronegocio fortalecido por el capital financiero intenta arrasar con la economía local y la vida campesina. Esta empresa a su vez cuenta con innumerables apoyos de los gobiernos provinciales y subsidios.

¿Hacia donde queremos ir como país? ¿Quienes podrán consumir el aceite de oliva de estas empresas?

Donde produciremos alimentos para los pueblos los campesinos?

Por eso estamos convencidos de la lucha por la tierra, por la vida campesina, por la producción de alimentos sanos para nuestro pueblo

Ni un metro más! La tierra es nuestra!

Soberanía Alimentaria ya!

Somos Tierra para alimentar a los pueblos!

Unión de Trabajadores Rurales Sin Tierra de Mendoza

Movimiento Nacional Campesino Indígena de Argentina

 

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